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"Egostrip - A Retrospective"


In Blitz - 9/04/2002

"O álbum "Egostrip" comemora 12 anos de carreira dos More, o que não é um aniversário simbólico. A compilação em causa faz um apanhado do percurso acidentado dos More, através da inclusão de faixas que pertenceram a todos os registos discográficos da banda lisboeta. É naturalmente, audível neste álbum o fulgor rock que sempre caracterizou os More, em temas que foram fazendo, em épocas diferentes, o apanágio do grupo como "UST", "Mad River" e "Too Much Reality". Fizeram do rock uma coisa excitante, como poucas bandas o fizeram. À semelhança de muitos dos grupos que emergiram no Rock Rendez-Vous, foram inventivos. Apesar de terem sido um quarteto clássico de rock (baixo-bateria-guitarras), construíram a sua paleta sonora. O seu espírito de militância é testemunhável em "Egostrip". Encontram-se ainda nesta compilação canções de energia mais contida como "Answer Machine" (ajustado ao formato "radio-friendly"), "Thieves" (uma das melhores composições da formação de Paulo Coelho) ou "More More More" (apesar do refrão explosivo), ou temas absolutamente atípicos na obra discográfica dos More como "Bloom (Open Strings Version)", dominado pelo registo de cordas e com um fundo cinéfilo, ou "Grounded Song" onde Darin Pappas (dos Ithaka) realiza um interessante exercício rap num formato de canção pop-rock.

Tal como as qualidades, também a maior vulnerabilidade da banda vem à superfície em "Egostrip". A versão de "Zip Zap Woman" dos Pop Dell'Arte, o único tema inédito deste álbum, volta a demonstrar que as versões não são o forte dos More. Apesar da adaptação da canção à estrutura dos MRM, não são introduzidos quaisquer condimentos atractivos adicionais na versão.

Os sobressaltos na carreira dos MRM têm sido muitos, entre mudanças de editora e reformulações na banda. O último precalço foi a saída do guitarrista Paulo Vitorino. Mas são esses contratempos que têm feito dos More uma banda não estabelecida. Talvez seja daí que lhes venha a garra. 8/10

- Gonçalo Palma"


In Mondo Bizarre - Fevereiro de 2002

"Doze anos é muito tempo. Treze, então, uma eternidade. Para uma banda portuguesa, ainda por cima de rock e com uma carreira editorial regular, ainda mais. Dos grupos que, no final dos anos oitenta, início dos anos noventa, poucos são os que resistem. Isto, claro, se formos capazes de nos lembrarmos de mais de um. Ao contrário dos seus contemporâneos, os MRM resistiram à passagem do tempo, à falta de editora certa, à escassez de concertos e a todas as demais agruras que uma banda rock tem que enfrentar por estes lados. E como testemunho dessa "suada" longevidade um tanto ou quanto estranha por terras lusitanas, eis que, em jeito de retrospectiva e síntese duma carreira longa e pautada por uma directriz sonora essencialmente rock, surge a compilação "Egostrip", cujo original sentido decrescente, desde o mais recente "Chemical Love Songs", passando pelos necessários "Equalizer" e "Blow Your Mind..." e culminando nos tempos iniciais da banda com "More More More" (bem como com "Azul Dietrich", um tema da sua primeira demo) leva a bom porto a missão de desnudar o passado situando-nos no presente, não fosse o que nos antecede ser tão fundamental na compreensão do que nos sucede. E se a essência rock da banda se nos afigura aqui quase de um modo omnipresente, o facto é que esta nunca descurou igualmente a inserção de diferentes influências e elementos sonoros, vendo na colabroação que desde sempre manteve com outros músicos, uma salutar forma de diversificar e enriquecer a sua própria sonoridade, algo visível nas inspirações hip hop-dub de "Grounded Song", ou na perscrutância quase épica dos arranjos de cordas de "Bloom". E contudo, apesar da referida diversidade, bem como de uma certa evolução musical no sentido de um progressivo apuramento melódico - que é aqui visível dum modo cronologicamente invertido -, determinado tipo de indiossincracias como as latentes explosões de guitarras, susceptíveis de nos provocar uma certa tenão interior, assim como o timbre característico da voz de Paulo Coelho, firmaram desde sempre a identidade própria e específica do grupo. Desde o incício em jeito cíclico com "Celebrating The Sun", passando pela tocante fragilidade "Thieves", pela força eléctrica de "Electric Mastermind", ou ainda pela crueza de "Wild America", são vários os momentos através dos quais se foram construindo enquanto elemento criativo, e que poderão chegar aos ouvidos de um público mais vasto. 8/10

- Ana Gandum"

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